Um espaço com críticas e humildes sugestões além de casos, acasos e descasos da vida.

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sábado, 25 de abril de 2009

Metade


metade
oswaldo montenegro
Composição: Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Clarice

"Gosto dos venenos os mais lentos! As bebidas as mais fortes!
Dos cafés mais amargos! E os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
E daí? Eu adoro voar!!!"
(Clarice Lispector)

segunda-feira, 30 de março de 2009

Em que acreditar?

Bom, este texto estava no meu email e achei todos os seus dizeres bem plausíveis. Espero que quem estiver atrás de sua cara-metade (ops, com ou sem hífen?)saiba que não é bem por ai. Ah, quase sempre a gente lê isso e deixa pra lá, o que é bem razoável, mas acaba descobrindo estas mesmas coisas sozinho, com o tempo. E também que nunca é tarde (ou quase nunca hehehe).
Espero que curtam.

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só
> >acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra
> >nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.
> >
> >Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma
> >laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra
> >metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa
> >vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o
> >que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos
> >em boa companhia, é só mais agradável.
> >
> >Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas
> >pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.
> >Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo
> >indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma
> >relação saudável.
> >
> >> >
> >Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados,
> >que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não
> >são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé
> >torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé
> >torto.
> >
> >Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a
> >mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à
> >marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado,
> >frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras
> >alternativas.


> >
> >
> >Janaína Barroso

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Quando os cearenses dominarem o mundo!

>
> (Descaradamente plagiado do Allan Sieber, que pegou do Crumb, que tirou isso não sei de onde.)
>
> Todo mundo sabe que os cearenses estão por toda parte. Em geral, o cearense é aquele sujeito baixinho que é o guardador de carro em São Paulo, o chef de um restaurante da Madison em Nova York ou o designer que bolou o logo da Eurocopa em Portugal. O que pouca gente sabe é que na verdade isso é uma bem arquitetada jogada que visa plantar gente nossa em postos chave da administração mundial. Quando estivermos prontos, será deflagrada a grande tomada de poder e meu conselho é que você fique imediatamente amigo ou amante de um cearense, pois sabe como é: pros amigos tudo, para os inimigos, a lei!
>
> Tomaremos o poder a partir de uma senha préestabelecida, que só um cearense saberá o significado oculto. Ao berros de Queima Raparigal! as hostes de cabeças-chatas invadirão os parlamentos e palácios e todos os jornais e as redes de tv do mundo livre.Ninguém desconfiaria que Juvêncio Araripe, humilde faxineiro da CNN, na verdade é um professor do LIA que rapidamente conectará a rede de Atlanta para nossos propósitos.
>
> Elegeremos um papa cearense, Raimundo I, que canonizará Padre Cícero e determinará que daí por diante em todas as igrejas católicas a óstia seja feita com macaxeira. Essa simples bula papal fará com que a economia do Ceará dê um salto. O único problema é achar uma mitra que caiba na cabeça do papa, mas nós cearenses sabemos improvisar: Raimundo I usará uma fronha de travesseiro enquanto não se encomenda outra.
>
> A Literatura de Cordel ganhará status de arte maior, e Clodoaldo Mastrúcio ganhará o Nobel de Literatura com seu livrinho A moça que engravidou do cavalo e a besta da sua mãe. Polidamente, Clodoaldo recusará as coroas suecas, alegando que gosta mesmo é de uma bichinha mais nova. Aí explicarão o mal entendido e ele vai aceitar a grana numa boa.
>
> Nas artes plásticas, os desenhos com areia colorida irão ocupar alas e alas do Louvre. Para arranjar espaço para as garrafinhas de areia colorida, todas aquelas velharias do Turner e do Delacroix serão levadas para decorar a salinha do faxineiro ou serão jogadas no Sena. A Monalisa fica, pois na avaliação de Serotônio Macêdo, novo curador do museu, ela é uma cabôca danada de aprumada.
>
> O novo secretário geral da ONU será Severino Cavalcante - nenhum parentesco, mas a cara é igualzinha -, que resolverá o conflito Israel/Palestina doando vastas extensões do sertão cearense pros brigões. A ata de doação será concisa e formal. Nas suas palavras: Olha, bando de mulambeiros, a terra é seca do mesmo jeito e o mar é da mesma cor. Deixa de frescura que vocês nem vão notar a diferença e o Ceará ainda é maior que aquela tripinha de Gaza.
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> A famigerada música cearense tomará o mundo. Numa revanche histórica, teremos as categorias de música anglo-saxã e artista bretão no Grammy, para dar uma chance a esses aculturados já que nossa música será hegemônica. O mesmo se dará com o Oscar. Bolaremos uma categoria que premiará o melhor filme de cangaço, melhor cena de amor numa jangada e melhor mocotó, dado para as atrizes mais pernudas. Para apresentar o Oscar, nada de Jon Stewart! Tiririca será o escolhido e Didi Mocó destronará Chaplin como ícone da comédia.
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> O rodeio será substituído pela vaquejada, a coca-cola pela água de coco, Ipanema por Jericoacoara, chiclete por banana, Trafalgar Square pela Praça do Ferreira, Gandhi por Antônio Conselheiro, Átila por Virgulino Ferreira, Dick Cheney por Tasso; e por aí vai. Destruiremos Brasília e em seu lugar abriremos um depósito de lixo atômico. A Nova capital do mundo ainda será Nova York, mas a gente vai rebatizá-la de Nova Quixeramobim e vamos trocar aquela estátua cafona por uma enorme gostosa de biquini. Yeah!
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> Não vejo como o plano possa falhar, pois cada vez mais nossos agentes se espalham pelo Brasil e o mundo todo. Só nos resta esparar, de preferência no fundo de uma rede, enquanto as engrenagens giram por si. Adeus e até a vitória! Como sou modesto, quero para mim apenas um título de nobreza e umas terras anexas: Barão de Ibiza soaria bem.
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> Atenciosamente,
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> George Mazza Matos
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