Casos e descasos

Um espaço com críticas e humildes sugestões além de casos, acasos e descasos da vida.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Vasculhando e-mails antigos...

MORAR EM TERESINA É:

- Morrer de calor de setembro a dezembro

- Curtir bandas de rock local que tocam em todos os lugares da cidade

- Ter o carro de ano ou semi-novo nem que falte dinheiro pro "de-comer"

- Ter um enorme contingente de mulher bonita em contraste com um batalhão
de "cabras" feios, baixinhos, gordos e sem pescoço

- Se esbaldar na extinta Micarina, festa onde uma vez por ano: MULHERES lindas e
recatadas liberam seu lado "pinço" e Homens fracos aproveitam esses dias
para passar o resto do ano se gabando, se achando "arrochadores de muié".

- Achar que Medicina e Direito são os melhores cursos do mundo

- Passar pra Direito e assistir filmes de tribunal.

- Se formar em Direito, ganhar uma merreca e continuar morando com os pais.

- Ir pra Recife e tomar vaga dos vestibulandos nativos.

- Querer ser de Fortaleza e repudiar o maranhense até a morte.

- Zoar com os parnaibanos, que, por não terem sua cidade como capital,
consolar-lhes com o título de "capital do Delta". (Mesmo sabendo que o
Delta está praticamente todo no Estado do Maranhão).

- Querer fazer uma viagem para fazer novas amizades e o dinheiro só dar
para ir a Luís Correia para terminar vendo as mesmas caras de Teresina que
acabaram tendo a mesma idéia.

- Ficar irado com qualquer notícia besta que satirize o Piauí a nível
nacional e ignorar a virtude do conveniente ditado: "Falem mal, mas falem
de mim".

- Se gabar pro resto do Brasil de que Teresina é uma das únicas capitais
planejadas do país e depois se questionar no silencio de sua intimidade:
"Mas, qual será mesmo a vantagem disso?"

- Se orgulhar do título de "Cidade Verde" e logo constatar que a maior
parte deste verde pertence a matagais de terrenos baldios espalhados pela
cidade que poderiam abrigar algum comércio ou empreendimento de valor
econômico dinâmico.

- Parar num boteco qualquer, abrir o porta-malas do carro pra ouvir
Chiclete-com-Banana ou Forró do Muído em ensurdecedor e incômodo volume com os
amigos e ficar conversando (ou melhor, gritando) mentiras pra contar
vantagem.

-Ganhar mil reais por mês e querer chamar os outros de "liso"

- Ir só para a S8 todas sextas-feiras, achar o máximo, e reclamar
depois que Teresina não tem opções para sair.

- É ir para uma festa, reclamar se não encontrar ninguém conhecido, e
reclamar se só tiverem as mesmas "caras".

- Ir para Luís Correia nas férias e fazer para os colegas as três perguntas
básicas: "tu chegou que dia?"; "tu tá aonde?" e "tu vai embora quando?"

- Saber quem acabou com quem, quem voltou com quem, quem começou, blah...
blah.... blah.... e nem ao menos conhecer as pessoas ou, só conhecendo de
vista.

- Conhecer todas as ruas da cidade saber onde tem lombada ou onde tem
buraco.

- Encarar formaturas de qualquer curso como point de saída, chegando ao
ponto de comprar senhas.

- Passar os carnavais em cidades do interior, pois o da cidade verde é uma
MERDA!

- Ver pessoas correndo, e até pagando para tirarem fotos; no intuito de
sair em jornais ou sites badalados.

- É ir a um restaurante novo todo dia durante três meses e depois
abandonar.

- É ver pessoas "provincianas" que não tem onde cair mortas, se recusarem a
dar um passeio num shopping sem um vestido longo, maquiagem e escovinha.

- É não ter PORRA nenhuma pra fazer no domingo, a não ser comer caranguejo !

Isso é Brasil!

video

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

É feliz quem vive aqui? Ou lá?



Como será morar em um lugar onde você pode deixar seu bebê no carrinho, tomando um banho de sol na calçada enquanto você entra na mercearia para comprar algumas coisinhas, paga algumas contas no banco ou simplesmente senta para tomar um café? É, os pais dinamarqueses já ouviram falar em roubo de crianças e pedofilia, mas é algo tãaaao distante... eles nem sabem em que noticiário de que país ouviram falar destas coisas.
escolher profissão pensando na grana que vão ter de retorno depois... que absurdo! Os dinamarqueses trabalham no que gostam porque as diferenças salariais entre as profissões são muito pequenas para influenciarem na escolha.
"Bom, mas pra trabalharem no que gostam e receberem um bom salário eles devem trabalhar 20 horas por dia e mal devem ter tempo para os filhos e cônjuges".

Ok, ok, os invejosos (eu) diriam isto em um ataque de fúria por trabalharem no que não gostam só pra ganharem uma graninha a mains. Mas pelo contrário, por volta das 16:30h eles pegam suas bicicletas, saem do trabalho e vão ao mercado comprar comidinhas para o jantar do dia e para o café da manhã e o almoço EM FAMÍLIA.


"Uiiii, tanta perfeição... devem ser muito metidos e totalmente deprimidos, não dá pra ser perfeito assim."

Bom, vocês já devem imaginar que é outra lorota do invejoso. Em pesquisa feita por não sei quem (mas pelo visto muito séria) os dinamarqueses foram apontados como o povo mais feliz do mundo.
Algo em torno de 50% a 60% dos seus salários são revertidos em impostos e isso os deixa muito tranquilos porque com este dinheiro eles pagam um sistema de educação e de saúde de primeira qualidade. Com uma boa educação o país praticamente extingue a figura dos marginalizados, o que é fundamental para que os pais possam ter a tranquilidade de deixar seus bebês em segurança na porta de uma mercearia.

Os mais impacientes vão me perguntar porque eu não vou morar lá então. Estou certa?

Bom, na verdade eu queria que o MEU país fosse assim. Talvez eu nem tivesse competência para conseguir um lugarzinho lá na Dinamarca, mas mesmo que tivesse e que eu morasse lá eu teria vários sentimentos de pesar que talvez não coubesse citar agora.
Ah, antes que eu pense que tudo lá é lindo e maravilhoso: sei que deve existir algum defeito (eles devem ter os pés chatos) mas o que repito mil vezes que admiro é a baixíssima desigualdade social e a admirável (e consequente da desigualdade) capacidade do país poder fornecer ao cidadão as necessidades essenciais para uma vida digna e feliz.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

De volta... mais ou menos


Bom, já faz alguns meses que não escrevo aqui. Algumas vezes até começo alguma coisa, porém depois vejo que nem eu leria tais baboseiras... coisas de quem é muito crítico e as vezes pouco competente.
Vendo alguns e-mails antigos reli coisas de amigos que há muito não tenho notícias e também encontrei o Soneto do Amigo, de Vinícius de Moraes. Resolvi então voltar ao trabalho no blog postando este soneto tão singelo e profundo.

Vinícius de Moraes - Soneto do Amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O bom do B R O bro


Pode ser meio pretensioso da mihna parte... mas as vezes acho que os ipês sorriem pra mim. É sério, depois de um dia cansativo e passar por situações estressantes um ipê me olhou e com sua unica florzinha amarela me abriu um sorriso.
Como eu não sou mal educada sorri também e fui dormir mais tranquila.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Há quanto tempo


Um pouquinho atrasada mas vou postar um link pra um artigo legal sobre o dia dos namorados.

domingo, 31 de maio de 2009

Um jeitinho vergonhoso



Quando ouvimos falar do “jeitinho brasileiro” é fácil vir a mente a malandragem, o talento pra conseguir usufruir de bens e situações que não seriam favoráveis. Este “jeitinho” remete a malandragem histórica do nosso povo. Uma malandragem na maioria das vezes é mostrada com orgulho, como patrimônio do povo brasileiro. Também entendido como esperteza, a idéia do malandro que se orgulha em dizer que pesca na prova, que não esperou muito porque furou a fila, que conseguiu um benefício porque tem um parente ou amigo no governo. O malandro que diz: ”odeio político ladrão”, mas que se estivesse no poder roubaria também. O cidadão heroicamente afirma que tem orgulho de ser brasileiro e por isso naturalmente faz uso do jeitinho, mas não percebe que esta “marca nacional” é um grande tiro no pé.

Na Restaurante Universitário da Universidade Federal do Piauí a fila para a refeição é um exemplo de como esse jeitinho muitas vezes já é tido como intrínseco do brasileiro. Neste ambiente acadêmico, o processo para comer mais cedo é simples: encontrar um amigo, cumprimentá-lo, achegar-se. É assim que o legítimo fura-fila consegue fazer sua refeição mais cedo. Na maioria das vezes, nem olham para o final da fila. Já prestam atenção em que será sua próxima presa. Ou seja, o parceiro que o levará mais rápido a bandeja do RU.

Jacionara Gomes diz que quando começou a freqüentar o RU respeitava a ordem de chegada. Porém, depois de um tempo, a estudante concluiu: “todo mundo fura, decidi furar também”. “Resolvi pensar em mim”, diz Jacionara, que é estudante de Pedagogia e que depois do almoço precisa correr para chegar pontualmente no trabalho. Sua colega, de mesmo curso, Natália Vieira, diz que só não fura “quando não dá”.

Nenhum dos estudantes entrevistados se mostrou indignado com a situação. Alguns, pelo contrário, acham “natural”, pois acreditam que faz parte da cultura brasileira. O estudante José Luis Campelo, diz que fura fila em qualquer lugar, basta ter oportunidade. “Faz parte da cultura brasileira. Como a cultura é dinâmica, o ato de furar a fila já não causa constrangimento como há um tempo.”, diz ele, que não precisa de desculpas como o horário de trabalho ou outras coisas a fazer para furar a fila.

Mas para que uns possam encurtar seu processo de espera, é necessário que haja os furadores de fila passivos. São os indivíduos que estão na fila e deixam que seus amigos se encaixem na sua frente. Um exemplo disso é o estudante de Filosofia Simplício Júnior. Ele diz que nunca pede lugar na fila para amigos, mas que se um amigo pedir para entrar em sua frente, ele deixa tranquilamente.

Uma das estudantes que estava na fila, Denise Nascimento, disse que aceita que furem a fila por que ela também o faz. Esta é a idéia da conivência com o jeitinho brasileiro. Muitos não se incomodam com outros que furam fila, que se corrompem, que se locupletam, simplesmente porque também fazem, gostariam de fazer, e se tivessem a oportunidade o fariam.

Se este jeitinho se resumisse a simples filas nos restaurantes universitários o o problema não seria tão sério. No começo deste ano foi deflagrado um escândalo em que o protagonista era o deputado Edmar Moreira, dono de um castelo que custa em torno de 25 milhões de reais e que não foi declarado no imposto de renda. O imóvel, que em muitos países seria motivo de vergonha para seus cidadãos, aqui no Brasil virou ponto turístico. Muitos queriam ver como aquele deputado se deu bem e até o invejavam.
Outro exemplo do tal jeitinho foi o escândalo das passagens aéreas, em que uma grande parte dos deputados federais utilizaram suas cotas de passagens aéreas, concedidas pelo governo para que o deputado possa se deslocar para sua base de apoio político, estavam sendo utilizadas por seus familiares, amigos e até sendo vendidas.

Deputados pagando empregada doméstica com verba de gabinete, filha de deputado utilizando o telefone funcional (pago pelo contribuinte) para bater papo em ligações internacionais, nepotismo. São alguns dos exemplos de jeitinho brasileiro que vistos como tal, têm uma punição leve.

A história do Brasil tem sido marcada por escândalos de corrupção. De fato, a corrupção não vai acabar, ela é inerente a todos os povos. E não é difícil de imaginar que nós, brasileiros, não somos os únicos ‘espertinhos’. No mundo, há muitos outros povos que também seguem a mesma linha de conduta individualista que seguimos. Todavia há lugares onde isso é minimizado. Por quais motivos? Talvez uma melhor eficiência da Justiça ou uma boa consciência coletiva. É difícil definir porque o jeitinho é um fantasma abstrato que nos rodeia, porém é fácil ver como ele nos traz problemas bem concretos.

Podemos ver assim, que aquele velho papo de que os valores estão invertidos – ou subvertidos – fica ainda mais presente. Policiais, políticos, funcionários públicos, em geral, que são pagos pelo povo brasileiro e para servirem ao povo brasileiro e que deveriam ser exemplo, muitas vezes não resistem ao poder e ao dinheiro público que vêem em suas mãos, não resistem à vantagem que irão conseguir caso se corrompam. A sociedade por sua vez, é tão materialista que ignora a ética, a moral e outros valores que aparentemente não trazem a ela benefícios diretos.

A diferença entre o jeitinho brasileiro e o “jeitinho internacional” é que agregamos essa malandragem como característica cultural do Brasil, assumindo uma postura diferente e orgulhosa de detonar os outros, que somos nós mesmos. E a política? Nesse caso a situação piora quando notamos que os governos – ou detentores do poder, de uma forma geral – são tão desregrados quanto nós. Aí, o mau exemplo da política torna a sociedade um caos, onde as pessoas burlam leis por uma questão, digamos, de sobrevivência moral.

Considerar que só porque diversos políticos roubam ser uma explicação razoável para exercer o jeitinho, mesmo em coisas menores do que superfaturar uma ambulância, materiais de construção e outros serviços para o governo é mergulhar de cabeça em um círculo vicioso do qual ninguém quer intervir, todos querem participar e muitos sofrem com isso.

Se o jeitinho brasileiro se resumisse a habilidade que alguns têm de driblar a tristeza, de pegar um ônibus lotado, de acordar as três da manhã para abrir a “banquinha” de café na praça e voltar pra casa a tempo de preparar o almoço dos filhos e dar conta de fazer faxina em outras casas. Se o jeitinho brasileiro fosse a capacidade de, mesmo desempregado, o brasileiro conseguir de forma criativa e honesta, ganhar seu sustento e o da sua família. Aí sim, este jeitinho seria motivo de orgulho.

Porém, na atual conjuntura, ter orgulho do jeitinho é apoiar toda a situação presente que nós mesmos vemos que nos prejudica. Sabemos que roubar uns milhões é diferente de fila, mas as ambas as situações estão no mesmo patamar ético, partiram de uma mesma iniciativa extremamente egoísta. Como já diria o professor Ítalo de Paula, “viver na surdina, burlar as regras, fazer vista grossa às normas e muito mais podem até dar um gosto de aventura, entretanto deve-se perceber que exaltar o individual em detrimento do coletivo é uma forma ignorante de suicídio”. Sem notar, a sociedade vai puxando a corda que irá enforcá-la.